quinta-feira, 1 de novembro de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
CAMPANHA CERRADO FÊNIX
CAMPANHA CERRADO FÊNIX :ENTRE NESTA!
http://www.recantodasletras.com.br/mensagens/3218845
sexta-feira, 15 de junho de 2012
MÃE-TERRA
Sandra Fayad
- Alô, Mãe-Terra!
- Como vai, filha? Que bom que me ligaste!
- Estás ocupada?
- Sim. Mas não te preocupes. Posso interromper um
pouco.
- Liguei para contar que hoje acordei com vontade
de escrever uns versinhos para a senhora. Quer ver?
- Ah, quero sim.
“Mais quente que
Marte
Menos fria que
Vênus
És da vida o
baluarte
És a pátria dos
terrenos.”
- Que lindo! Muito obrigada, filha.
- Mereces muitas homenagens por tudo o que nos tem
dado e por todos os sacrifícios, que só uma mãe dedicada é capaz de fazer. A
propósito, como anda a tua saúde?
- Ih, esse assunto é pra mais de légua...
- O que foi? Tens mania de esconder as dores
embaixo do Manto Inferior. Mas agora quero que me contes tudo.
- São dores por toda a natureza, desde o pólo norte
até o pólo sul. Cada dia, fico mais destemperada. Ora me derreto de calor, ora
me encolho de frio, independentemente das estações. Às vezes, sinto muita febre.
Vem lá do meu Núcleo Interno em direção à Crosta. Ardo em brasas vulcânicas. Dizem
os Raizeiros da Amazônia que estou entrando na menopausa. Ando intoxicada com a
poluição também. Sinto muita falta de ar. Reclamei sobre essa fumaceira tóxica,
mas os donos das indústrias contestaram. Dizem que é frescura minha e que
precisam produzir novos materiais a baixo custo, para fazer a economia dos
países crescer, enriquecer, progredir. Já não consigo amamentar a fauna, nem
nutrir as raízes da flora. Elas não estão se adaptando aos sabores ácidos nem
do meu leite doce ou salgado. Muitas espécies importantes já foram extintas e
outras estão em fase de extinção. Para completar, agora apareceram umas
alergias, que rasgam minha camada superficial, criando fissuras por toda Crosta.
Chamam isto de erosão. Estou fragilizada e feia, filha.
- Isso é grave. Você já consultou os Especialistas
da Medicina?
- Alguns estão realmente preocupados – são filhos
amorosos como tu. Querem eliminar as influências externas que estão me
prejudicando por dentro, querem fazer campanhas a favor da vida, mas esbarram
em tanta burocracia, em tantos interesses econômicos, que muito pouco conseguem
fazer. Outros enfiam suas cabeças em laboratórios de pesquisa, para buscarem
fórmulas químicas mágicas. Querem modificar minha corrente sangüínea, controlar
meu temperamento. Acham que minha força precisa ser domada, moldada aos desejos
dos grandes interesses internacionais. Coitados! Pensam que sabem tudo sobre
mim e que vão controlar meus sopros e espirros sobre mares e montes ou os
fluxos e refluxos das minhas marés. Se saio arrebentando tudo pela frente e soltando
faíscas por toda a parte, é porque não me respeitam. Não vêem que essas reações
são conseqüências dos seus erros do passado recente. Esquecem que sou eu a mãe,
a provedora das suas necessidades, a própria subsistência deles e de seus
descendentes.
- Já disseste isto a eles?
- Já lhes disse que se eu sucumbir, irão junto
comigo. Já expliquei também que só necessito de tratamento fitoterápico e que
podem abandonar suas fórmulas mágicas, pois nada substituirá o tratamento natural.
Minha recuperação está nos cuidados com meus pêlos verdes, minha crosta, meus
minerais. Basta que os preservem e os usem racionalmente.
- E o que responderam?
- Rebelaram-se. Disseram que têm planos para me
depilar toda. Precisam viabilizar obras gigantescas, como o túnel que vai da
América do Norte à Europa. Querem também
esgotar a exploração de matéria-prima da minha crosta para construir mais usinas,
mais veículos, mais cidades. Estão
loucos porque o petróleo está acabando.
- Fizestes algum exame de saúde?
- Sim. Fiz uma densitometria. Descobriram que minha
estrutura mineral está bastante comprometida, por causa do crescimento
desordenado das cidades e do uso inadequado do solo. Chamam isto de terrosteoporose.
Os exames mostraram também que o gás ozônio está me causando radiação
ultravioleta, com lesões irreversíveis na minha crosta, e queda da capacidade
imunológica.
- Ainda assim, consegues trabalhar?
- Mais ou menos. Já não posso plantar onde estou e
nem colho o que planto onde consigo plantar. Os que pensam no seu futuro e,
conseqüentemente, no dos seus descendentes protestam a meu favor porque sabem
que estão e estarão sempre ligados a mim pelo cordão umbilical. Mas a grande
maioria não se importa. Quer viver apenas hoje. Comporta-se como se fosse imortal.
Nem mesmo com as gerações futuras quer compromissos. Eles dizem que quando eu
não servir mais para nada, vão se mudar para outro planeta. Estão de olho em
Marte.
- Mas lá não é muito frio?
- É. Mas estão procurando um jeito de torná-lo
habitável. Vê como são as coisas! Passei milênios dando-lhes o pão de cada dia
e eles não reconheceram a minha dedicação e o meu desprendimento. Nunca me
disseram: - Muito obrigado, Mãe-Terra. Ao contrário, agiram como filhos
ingratos e insaciáveis. Sempre acharam pouco o que eu lhes oferecia. Extraíram
de mim o que eu tinha de melhor. Destruíram gerações e gerações da minha fauna
e da minha flora. Fiquei pobre e doente. Quando meu estômago começou a se
revirar, com enjôos pelas porcarias que me fizeram engolir, comecei a vomitar.
Vomitei e ainda devo vomitar muito mais detritos e lavras. Estou muito
desgostosa e cansada. Talvez seja melhor mesmo que saiam da barra da minha órbita.
Quem sabe, depois disso, eu ainda tenho alguma chance de me recuperar?
- Não fica assim tão triste, Mãe-Terra! Olha, nós,
poetas, estamos preparando uma festa especialmente para ti. Vamos protestar
veementemente contra os maus-tratos dos nossos irmãos, trabalhar para
abrir-lhes os olhos, provocar mudanças significativas.
- Obrigada, filha.
- Não há de quê. É minha obrigação. Bem, para
encerrar esse telefonema, aí vai mais um versinho para alegrar tua noite:
“ Dorme em paz, Mãe-Terra querida
Que a deusa Gaia te mostre, em sonhos,
O resgate nos teus filhos do respeito à vida
E devolva à natureza seres risonhos”.
GUARÁ: MADEIRA DE LEI
Sandra
Fayad
Da primeira...
nunca se esquece,
Seja ela
inaugural - ou recomeço.
É numa casinha
da Dezessete
Que de
esperança me reabasteço.
É ali,
em frente à antiga feira
Que
tomo o ônibus do TCU
Para cumprir
a meta primeira:
Trabalho,
faculdade, volta ao lar
Bem
mais tarde, em outro baú.
Guará,
minha prancha resistente,
Na
minha vida você é mais:
É
casamento feliz de um irmão,
Surpresa
de filha lendo jornais,
É a colega,
amiga mais companheira;
É amor
que cruza caminhos demais,
É
primeira carteira de motorista,
Papagaio
afogado em enchente,
Visitas
e negócios com parente,
Feira!
Sempre ela na minha vida,
Casa da
Cultura e muito mais gente.
Se os
poetas e o Didi me dão guarita
E o
povo me aceita como residente,
O que é
que eu quero mais dessa vida?
http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/
Parabéns, Adilson Codeiro Didi!
(poesia selecionada no Concurso Nosside):
Eu emprego o verbo
e um predicado
Despacho , não acho, o vulto
Para entender essa filosofia
Com ou sem verbo adulterado?
Amo o seu jeito meio obtusa
Sempre zeloso , não sou
indiscreto
Gosto de chegar ao eufemismo
Inimigo mortal do marasmo
Quer no transitivo e no direto
Já que sempre
participo do passado
Aliteração : repetição
de fonemas idênticas p/ obtenção de efeitos
estilísticos
Pleonasmo : redundância ,
usada p/ fortalecer o sentido
dos termos
(poesia selecionada no Concurso Nosside):
VERTENTES DO IDIOMA
Participo no presente
e no pretérito
No futuro ,
eu juro ,
estarei aliterado!
Procuro um
sujeito oculto
Chamo a matemática ,
geometria
¿O particípio
do passado
É ancorado no cateto e gerúndio
A soma
e o quadrado do mundo
Procuro em
vão a hipotenusa
Ma sou sujeito
dileto e indireto
Sou fã
natural do pleonasmo
Cuido permanente
do cataclismo
Sejamos, pois ,
meio intransitivos
Sou ainda
assim , a fim
do infinitivo
Chamo a vírgula ,
divido o concreto
O imperfeito
é um quase
pretérito
Sou mais
do imperativo afirmativo
O futuro
no presente é um
bom predicado !
Eufemismo: locução usada para amenizar o efeito de outra
palavra
Cataclismo: convulsão ,
mudança brusca
e radical nas pessoas/grupos .
www.adilsoncordeirodidi.com .br
domingo, 15 de abril de 2012
CAPIAU NA BIENAL
CAPIAU NA BIENAL
Decidi!
Sou poeta marginal, extra-oficial, capiau.
Minha prosa pode ser que não gostes
É que proseio em versos mal-educados.
Loucura de poeta louco! E daí?
- Dizem que ser poeta não faz mal...
Ah, é? Então eu me visto de "a tal"
E saio por aí, sem respeitar o pardal:
Não me protege na passagem...
Subterrânea!
Atravesso às cegas o Eixão Monumental!
Por cima!
E descubro que do lado de lá
Rolando está...
mais uma bienal...
Agora é oficial, internacional!
14/04/2012
Decidi!
Sou poeta marginal, extra-oficial, capiau.
Minha prosa pode ser que não gostes
É que proseio em versos mal-educados.
Loucura de poeta louco! E daí?
- Dizem que ser poeta não faz mal...
Ah, é? Então eu me visto de "a tal"
E saio por aí, sem respeitar o pardal:
Não me protege na passagem...
Subterrânea!
Atravesso às cegas o Eixão Monumental!
Por cima!
E descubro que do lado de lá
Rolando está...
mais uma bienal...
Agora é oficial, internacional!
14/04/2012
VÍDEO K-7
Sandra Fayad
Se hoje poucos recursos tenho,
menos os tive no passado.
Era tão menos que já nem me lembrava...
Bastou um vídeo k-7 regravado,
E o encontro com a saudade exposta,
Descrita na inocência bem cuidada;
Bastaram alguns minutos de nostalgia
Para encontrar a resposta válida:
O parâmetro não é o pouco que tenho,
Não é o menos de tive ou que fiz
O parâmetro é tão somente o que sinto
O que faz de mim um miserável
ser feliz.
Bsb, 15/04/2012
Sandra Fayad
Se hoje poucos recursos tenho,
menos os tive no passado.
Era tão menos que já nem me lembrava...
Bastou um vídeo k-7 regravado,
E o encontro com a saudade exposta,
Descrita na inocência bem cuidada;
Bastaram alguns minutos de nostalgia
Para encontrar a resposta válida:
O parâmetro não é o pouco que tenho,
Não é o menos de tive ou que fiz
O parâmetro é tão somente o que sinto
O que faz de mim um miserável
ser feliz.
Bsb, 15/04/2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Bienal Brasil do Livro e da Leitura
De 14 a 23 de abril de 2012, na Esplanada dos Ministérios. A estrutura coberta de 14 mil metros quadrados, dividida em quatro pavilhões, com 157 expositores, sessões de autógrafos, exibição de peças e filmes, seminários, debates, palestras e shows de música popular brasileira se prepara para receber 500 mil pessoas. Entrada é franca. Fui convidada para participar através do Sindicato dos Escritores, mas estou desanimada. Acho que o evento foi preparado para autores de fora do DF. Para nós é mais ou menos oferecido aquele convite carioca: Apareça lá em casa,... sem dar o endereço. Não gosto da ideia de ficar batalhando para mostrar meu trabalho. Pretendo ir ver o espaço e se realmente há um público interessado.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
GDF - Concursados
Não sou servidora do GDF, mas conheço muitos servidores da ativa, aposentados e concursados.
Fiz alguns concursos públicos nas décadas de 60/70. Em todos eles as provas eram datilografadas, as respostas eram manuais, as correções e os resultados eram apurados e divulgados manualmente, assim como eram também os votos dos eleitores. Mas naquela época nós podíamos confiar no Estado, porque os melhores candidatos apareciam nas listas de aprovados em ordem decrescente e eram nomeados na sequencia de aprovação, do primeiro ao último lugar, dentro do prazo de validade do concurso. Nunca desconfiávamos da lisura do processo seletivo. Não havia contratações paralelas como ocorre hoje e nem insegurança durante e após o certame.
Tenho visto muita insatisfação das pessoas, principalmente por parte dos jovens, que querem entrar ou melhorar sua performace no mercado de trabalho. Em Brasília e em muitas outras cidades, a oferta de trabalho em empresas privadas praticamente inexiste, levando os jovens a buscar o setor público, que oferece vagas através de concursos públicos. Os editais dos concursos são complexos, difíceis de interpretar. O programa enorme e com tópicos de avaliação subjetiva, deixando o candidato inseguro antes mesmo da inscrição prévia. As taxas, muitas vezes, exorbitantes e as exigências exageradas já tiram muitos da competição, caracterizando discriminação tácita.
Nos anos 60/70, estudávamos bastante para sermos aprovados. Eu fui aprovada em todos os concursos a que me submeti. Mas, durante a fase preparatória para a realização das provas, vivíamos normalmente, trabalhávamos, comíamos, dormíamos e, nos fins de semana, saímos para nos divertir .
Depois de aprovados, éramos convocados em ordem de classificação, tomávamos posse em nossos cargos e éramos respeitados pelo setor público, convencido que estava de que ali estavam os melhores em conhecimento e habilidades para aquele cargo.
Hoje, os jovens massacrados pela competição, "se matam" de estudar, abrem mão de tudo (trabalho, escola, família, alimentação, sono, diversão), pagam caríssimo para frequentar cursos preparatórios massacrantes e até adoecem para conseguir vencer todas as etapas impostas para conquistar uma vaga no setor público (como eu disse às vezes por falta de opção). Quando conseguem um bom resultado e são classificados dentro das vagas oferecidas, não há o que comemorar. Daí em diante, paira muita ansiedade, incerteza, estresse, submissão a regras casuísticas criadas no meio do processo, falta de transparência. Aí o concursado vai parar no psicólogo, desanimado, depressivo...fica todos os dias durante horas "navegando" nos noticiários, nos foruns dos concurseiros, numa tristeza de dar dó. Tudo o que ele(a) queria era poder assumir o cargo para o qual foi selecionado, trabalhar através do Estado para a sociedade da qual participa, oferecer seus serviços, conhecimentos, experiências, projetos profissionais em troca de uma remuneração.
Acho que os gestores públicos deveriam se colocar no lugar dos concursandos e concursados e oferecer a eles o respeito e a dignidade que querem para si mesmos, ao invés de ficarem protelando as nomeações.
Todo o DF sabe e comenta diariamente que o Governo do Distrito Federal está contratando pessoas (não se sabe se são aptas ou não) para exercerem funções próprias de profissionais habilitados em Concurso Público, que deveriam estar ocupando essas vagas. Qual é a explicação do GDF para isso? A população quer saber.
Sandra Fayad
sábado, 10 de março de 2012
PROGRAMAÇÃO DA POEMAÇÃO XXI
POEMAÇÃO VINTE UM
Homenagem ao Poeta Francisco Alvim
Um Sarau Videoliteromusical
A Biblioteca Nacional de Brasília Leonel de Moura Brizola abre suas portas para o Vigésimo Primeiro POEMAÇÃO privilegiando a poesia brasiliense.
O Poemação 21 faz uma homenagem ao poeta Francisco Soares Alvim Neto, ou simplesmente
Chico Alvim: nascido em Araxá, Minas Gerais, 1938, poeta e diplomata, publicou em Brasília seu primeiro livro de poesias, Sol dos Cegos, em 1968. Integrou o Grupo Frenesi, com Cacaso, Chacal, Geraldo Carneiro e Roberto Schwarz. Sua poesia é de filiação modernista, oswaldiana, possui os traços marcantes no trabalho dos chamados poetas marginais.
Alvim ganhou o prêmio Jabuti de Poesia, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, em 1982, por Passatempo e Outras Poesias, e em 1989 por Poesias Reunidas: 1968-1988. Sua obra mais recente é Elefante, de 2000.
Sandra Fayad: poeta, economista, ecologista, é autora do livro "Animais que Plantam Gente" traz dois pré-lançamentos no XXI Poemação, dois livros de poesia, pela Editora Art Letras, ambos ilustrados por seu neto, Thiago, e revisados pela sua filha, Tatiana: “Cerrado Capital – A Vida Em Duas Estações”, que descreve o clima e a paisagem no Planalto Central; e “Poemas Síntipos”, obra que contempla a atividade poética no formato criado pelo poeta português Fernando Oliveira (Ferool), onde a estrutura é constante e inédita e a rima é, preferencialmente, rica. Sandra é goiana-catalana, descendente de sírios-libaneses e candanga de coração. Mora em Brasília desde 1967. Escreve poesias desde os doze anos de idade.
Marcos Freitas: nasceu em Teresina, Piauí, em 1963. Engenheiro civil, poeta, contista e letrista faz o lançamento do livro "Inquietudes de Horas y Flores" (2011). Edição bilíngue (português-espanhol) de poemas selecionados de Marcos Freitas, traduzidos ao espanhol por Carlos Saiz, com apoio do Fundo de Apoio à Cultura do DF (FAC).
Tem mais de 60 artigos publicados em revistas e anais de congressos nacionais e internacionais. Participou de várias antologias, possui nove livros editados culminando em “Urdidura de Sonhos e Assombros”, de 2010, uma coletânea de seus poemas.
Marcelo Torres: escritor, jornalista, servidor público, nasceu na Bahia e mora em Brasília desde 2002. Publicou “O Fuxico” (contos e crônicas) e “O bê a bá de Brasília – dicionário de coisas e palavras da capital” lançado em junho passado.
Menezes y Morais: A íris do olho da noite (Editora Thesaurus), romance lançado em agosto no restaurante Carpe Diem é o novo livro de José Menezes de Morais. Poeta, jornalista e professor, diz que a ficção o consome durante várias estações. “Passo de dois a quatro anos em processo de gestação. Quando não tem mais como correr daquilo, faço um espelho dos personagens, me sento diante do computador e só Deus sabe”. Está em Brasília desde 1980. Nasceu e viveu a infância em Altos, Piauí. Sua estréia literária foi em 1975 com “Laranja partida ao meio”, com dez livros lançados.
Isis Albuquerque: natural de Santos-SP. Presidente do Instituto de Artes Afro-Brasileiro Professora Zilda Dias com formação em Teologia, iniciou-se no ramo das artes ainda na infância. Atriz, dramaturga e artesã, cria suas obras inspirada em seus antepassados, cultua suas raízes e se sente um pouco cabocla, gosta da natureza e do respeito a todos os seres viventes na condição de cada um. Ecologista nata, ama o oculto e o mistério.
Lucia Viana: atriz, maranhense, nos apresenta o espetáculo de “Quilombagem”, nascido no Maranhão após o lançamento da carta do Plano de Erradicação do Trabalho Escravo, realizado pelo Governo do Estado, em 2007. Depois de apresentações nas cidades de Imperatriz e São Luiz do Maranhão “Quilombagem” ganhou repercussão internacional. O espetáculo foi exibido nas cidades de Madrid, Barcelona, Sevilla, Santiago, Gijón, Mieres, Oviedo e Lugo.
João Roberto Costa: o Joãozinho da Vila é poeta “Eu escrevo porque é a maneira de me sentir em sintonia com as pessoas que estão próximas ou distantes da minha visão de universo, procuro ser o mais simples possível para que todos entendam e não fiquem dúvidas desnecessárias. Minha influencia é a poesia NATIVA, a poesia que nasceu em Brasília e aqui vem lutando para continuar viva e nativa”. Autor de “50 anos – Obras Completas em Apenas um Volume”. A música fica a cargo de Daniel Kirjner sociólogo, ator, roqueiro e compositor. Integrante da banda Metrópole Locomotiva e mestre pela UnB, com dissertação sobre a vida e obra de Lupicínio Rodrigues, nos apresenta um pouco desse trabalho. Ao final a plateia mostra o talento em Poesia na Plateia. Sorteio de livros para a plateia. O Poemação é realizado todas as primeiras terças do mês no auditório da Biblioteca Nacional de Brasília, sob a coordenação dos poetas Jorge Amâncio e Marcos Freitas.
POEMAÇÃO 21
Homenagem ao Poeta Francisco Alvim
participantes
Menezes y Morais, Isis Albuquerque, João Roberto Costa, Sandra Fayad , Lucia Viana, Marcelo Torres, Marcos Freitas, Daniel Kirjner
LOCAL: Auditório da Biblioteca Nacional (2º Andar)
Data: 06 de setembro de 2011
Horário: das 19h00min ás 21h00min
Entrada Franca
ESTACIONAMENTO FÁCIL ATRAS DA BIBLIOTECA NACIONAL DE BRASÍLIA (entre a biblioteca e o antigo Touring)
CONEXÃO REAL
CONEXÃO REAL
Ano 3 – Edição nº 127 – 24 de outubro de 2011
Servidora aposentada lança dois livros em Brasília
De terça-feira a quinta-feira (26 a 28/10), será realizada a 1ª Bienal do B – A poesia na rua, em Brasília. Organizado pelo Movimento
Viva Arte e pelo Açougue Cultural T-Bone, o evento oferece apresentações musicais, cursos de pintura para crianças e lançamentos
de livros, entre outras atrações. A servidora aposentada Sandra Fayad está entre os autores que marcarão presença na bienal. Na
quarta-feira, 27/10, lançará duas obras: “Cerrado Capital – A vida em duas estações”, que narra em versos a flora e a fauna do
Planalto Central; e “Poemas Síntipos”, criação poética em formato proposto pelo poeta português Fernando Oliveira, composto de
estrutura inédita, com rimas ricas. Sandra também é autora do livro “Animais que plantam gente”, lançado em 2008. A 1º Bienal do B
terá início sempre às 18h, na comercial da 312 Norte (bloco B). Confira a programação completa pelo site http://www.t-bone.org.br/.
Expediente
Realização: Secre/Comun/Dicom. Coordenação geral: Flávia Berçott. Jornalista responsável: Renato Freire (CDN). Jornalista: Bruno Moraes (CDN).
Colaboração: Paula Zuba. Estagiárias: Daniele Ribeiro e Marina Tinoco Waski.
Projeto gráfico: Ricardo Cayres (CTIS).
A Horta que eu criei
| PROGRAMA CORRENTE CIDADÃ |
| MINI HORTA COMUNITÁRIA URBANA |
| COM PRESERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DE MICRO ECOSSISTEMA |
| |
| SANDRA FAYAD |
| 26/05/2011 |
| RELATÓRIO ELABORADO PELA CIDADÃ SOBRE A CRIAÇÃO, MANUTENÇÃO, REPERCUSSÃO E BENEFÍCIOS ATRAVÉS DA IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS DE IDÊNTICA INICIATIVA EM PEQUENOS ESPAÇOS URBANOS OU RURAIS. |
MINI-HORTA COMUNITÁRIA URBANA (BRASÍLIA)
(Com preservação e manutenção de micro ecossistema)
INTRODUÇÃO
A característica principal é a de que pode se transformar em um projeto a ser implantado em qualquer área urbana ou rural, como entrequadras, blocos residenciais ou comerciais, quintais, estacionamentos, sítios.
- A HORTA - ONDE ESTÁ E COMO ELA É
A mini-horta comunitária urbana da 713 Norte, em Brasília, está situada à sombra de uma Mangueira e de um Jambeiro que, no período das safras, satisfaz à comunidade e aos animais silvestres com seus deliciosos e abundantes frutos. Ocupa o terreno contíguo à residência da poetisa Sandra Fayad, com a medição de 8 m de largura X 9 m de comprimento. Seus vizinhos são o prédio do Conselho Federal de Farmácia à frente e dois outros terrenos de mesma dimensão à esquerda e à direita, onde, no entanto, não há aproveitamento para plantio, por opção dos moradores, embora se trate de área pública. Nessa mesma linha, não temos notícias e nem constam registros de outras iniciativas idênticas.
No interior da horta existem mais de oitenta espécies de ervas para chás e condimentos, além de várias espécies ornamentais, tudo distribuído em pequenos canteiros organizados segundo as características físicas das plantas (altura, volume, expansão) e as necessidades individuais de cada uma (luz solar, irrigação, profundidade da raiz, nível de resistência). Há também alguns vasos comuns cuidadosamente preparados com adubação orgânica. Algumas plantas da horta são bastante conhecidas como salsa, coentro, tomilho, almeirão, cebolinha, dente-de-leão, erva-cidreira, guaco, capim santo, mastruço, arruda, comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge, abre-caminho; outras são consideradas nobres como alfazema, capuchinha, cânfora, macelinha, losna, manjericão, camomila, barba-de-velho, sálvia, babosa, citronela, carqueja, cavalinha, melissa, funcho, poejo, orégano.
Além das plantas, circula no local grande quantidade de pássaros como sabiá-laranjeira, sabiá-da-terra, rolinha, pássaro anu, beija-flor; borboleta, pombo (no inverno), gavião, morcego e também lagartixa. Diariamente, dezenas de moradores e transeuntes não resistem e param no local para admirar o trabalho e o desenvolvimento da flora e da fauna, para ler as mensagens e as poesias que são disponibilizadas no mural ou em garrafas plásticas dentro e ao redor do jardim. São homenagens às plantas e aos animais, descrevendo sua personalidade e preferências, como se fossem pessoas, e que já fazem parte de um livro inédito, intitulado Animais Que Plantam Gente:
“Animais que Plantam Gente é o resultado da vivência da autora aliada à ampla pesquisa sobre a sensibilidade e o comportamento de plantas e animais em extinção. O livro tem o formato de 42 conjuntos (foto, poesia e crônica), que podem ser lidos em grupo ou individualmente e em qualquer ordem. Cada conjunto descreve um animal ou uma planta, destacando sua importância na natureza. O leitor poderá enredar-se em curiosidades como as de que o fruto da Lobeira é a razão de ser da elegância do Lobo-Guará, que a sociedade não vê com bons olhos o comportamento da Ema Fêmea e se divertir com um Show de Lagartixas no Asfalto, enquanto a florzinha do Jambu deixa as mulheres excitadas e confiantes na eficácia da Catuaba e nos poderes do Açaí”.
A ideia da criação da horta gerou outra criação: a de um grupo participativo de apoio e colaboração, onde todos os que se interessam espontaneamente também se beneficiam do que é produzido.
- HISTÓRICO RECENTE
Preparação, Implantação
O espaço disponível - 72 m² - corresponde à parte frontal de uma residência na Quadra 713 Norte, em Brasília, limitada aos fundos pela casa da responsável pela horta, e à frente por calçada para pedestres e rua de trânsito normal de veículos. A área encontrava-se, há mais de quarenta anos, contaminada com entulho e resto de obras (pedras, cimento, ferros, tinta de paredes, tinta de ferragens, vidros, plásticos), portanto totalmente imprópria para agricultura.
O primeiro passo foi a remoção de todo o material misturado à terra e a transformação do solo improdutivo em solo limpo e drenado, terminando com um pequeno período de descanso.
Em seguida, iniciou-se a fase de revitalização da área, através de tratamento da terra (aplicação de matéria orgânica, poda de árvores, melhoria da umidade, combate sem tréguas aos formigueiros e cupinzeiros existentes). Novo descanso.
Como o solo possui uma inclinação de mais de um metro, nos seus nove metros de comprimento, providenciamos o seu nivelamento e a formatação dos canteiros em tamanhos variados, já que as duas árvores frutíferas na área possuem raízes aqui e ali superficiais e até aparentes.
Na sequência, definimos os locais de plantio, de acordo com as exigências de cada tipo de muda ou semente, obedecendo à sua necessidade de sombreamento, luz solar, umidade, capacidade de expansão, considerando também que necessitaria resistir ao excesso de água no período chuvoso (outubro a abril) e à falta de umidade no período da seca (maio a setembro). São duas fases bem antagônicas que afetam diretamente a produção no planalto central.
No pequeno espaço passamos a cultivar de forma permanente cerca de 80 espécies de ervas medicinais e condimentos, além de algumas espécies ornamentais (em canteiro separado). À medida que iam sendo plantadas, fomos identificando-as com plaquetas.
- RELACIONAMENTO COM PÚBLICO
Para melhor interagir com o público e criar um ambiente convidativo à participação dos transeuntes e vizinhos que circulam na área, improvisamos uma pequena decoração e a fixação de um mural com informações sobre as plantas, reportagens na imprensa sobre a Horta Comunitária Urbana (HCU), poesias e textos afinados com a atividade; disponibilizamos formulários para cadastramento voluntário, caixa de correspondência, recipientes para doações, locais para oferta e retirada de mudas e folhagens. Observamos também que era necessário providenciar a proteção das matrizes das plantas mais tenras, bem como das frutas (mangas e jambos) que caiam sobre a calçada e os canteiros, na primavera. Instalamos, então, um telado em forma de cobertura de cabana de índio (apoiado em bambus, posteriormente em barras de ferro cruzado) entre a copa das árvores e o solo.
O relacionamento com a comunidade foi imediato. Os próprios visitantes se encarregavam de procurar a imprensa para registrar o que se passava no local. Assim é que, ao longo de cinco anos, realizaram-se no espaço cerca de dez reportagens e entrevistas com as pessoas envolvidas direta ou indiretamente na atividade.
O apelo à sensibilidade das pessoas resultou na entrega à HCU de plantas abandonadas e doentes para recuperação. Estamos implantando o hospital de plantas e tem surgido demanda para a implementação do hotel para plantas, por parte de pessoas que viajam, reformam suas casas, mudam-se de residência ou ficam temporariamente impedidas de cuidar delas. Estamos analisando esta hipótese.
Na HCU, damos tratamento diferenciado para as plantas doadas. As orgânicas que não admitem uso de agrotóxicos, e as ornamentais que admitem uso de agrotóxicos, ficam separadas, e recebem atenção de acordo com sua origem e antecedentes.
Fazemos vistoria diária com recolhimento de materiais trazidos pelo vento ou depositados na área por transeuntes descuidados, o que tem ficado cada vez mais raro. São sacos plásticos, potes, garrafas, papéis de balinhas ou bombons.
Para conquistar os animais que frequentam a HCU como pombos, sabiás, beija-flores, borboletas, calangos, lagartixas, nós lhes oferecemos alimentos: alpiste, ração, compostos, água para banho e água doce.
- COMPOSTAGEM
Construímos minhocários em três manilhas de 1.000 litros, onde os amigos da horta depositam sobras como cascas de frutas e legumes e folhagens para a alimentação das minhocas, que já produzem considerável quantidade de húmus em uso na HCU em sistema de revezamento.
- PERFIL DOS VISITANTES
Professores de ciências e literatura das escolas próximas ministram aulas externas aos seus alunos no espaço. Pesquisadores, curiosos, adeptos de tratamentos naturais também visitam diariamente o local. Pessoas que apresentam problemas de saúde relacionados a quadros de depressão, ao uso de medicamentos controlados, indefinição profissional ou falta de motivação também convergem para o local em busca de apoio.
- OUTRAS ATIVIDADES CORRELATAS
Adotamos reciclagem de vasos plásticos, de cerâmica e de garrafas pet em três modalidades: transformação em vasos para mudas, delimitação de canteiros (repelente de formigas e cupins) e proteção para o mural.
A HCU produz suas próprias matrizes (sementes e mudas), que são colhidas e transformadas em novas mudas ou canteiros.
Constantemente reavaliamos, readubamos, fazemos rotatividade de cultura. Utilizamos a comunicação visual e desenvolvemos a sensibilidade e a percepção sutil para detecção de necessidades de cada espécie e fazemos o atendimento solicitado pelas plantas.
A irrigação dos canteiros é realizada através de cinco mangueiras tipo “santeno” e a dos vasos e mudas é manual.
Participamos de eventos, realizamos palestras e orientações pré-programadas ou não.
- Resumo biográfico da fundadora da Horta Comunitária:
Sandra Fayad é goiana, candanga, economista, servidora pública aposentada, poetisa; autora em onze coletâneas, em livro solo sobre Plantas e Animais em extinção, em livro de contos do interior de Goiás e em livro de poesias sobre o cerrado brasileiro (ambos em edição); colaboradora e colunista de vários sites e blogs de literatura e do jornal impresso “Diário de Catalão”, onde escreve sobre a fauna e a flora em extinção e ecologia (coluna desativada temporariamente). Tem vasta experiência com o manuseio da terra e plantas medicinais. Foi proprietária do Sítio Capuchinha, onde produzia grande quantidade de mudas de cerca de 60 espécies de ervas para chás e temperos, com um diferencial que lhe deu fama: a adaptação de plantas de outras regiões ao clima do cerrado. Organizou uma mini-horta em um Bloco Residencial na Asa Norte. Defende a ideia de que quem reina é a natureza; nós somos seus súditos e a ela devemos render homenagens.
- HISTÓRICO REMOTO - RELATOS DE INFÂNCIA
Por Sandra Fayad
Até os doze anos de idade, minha vida esteve intimamente ligada ao campo.
Minhas lembranças da última casa da fazenda estão sempre associadas à fartura, aos riscos na convivência com animais silvestres e aos acidentes domésticos.
Lá não faltava comida. Havia sempre carne de aves e peixe de água doce, grãos, ovos, doces, frutas, legumes e verduras, leite e derivados, pães, bolos, biscoitos. Tudo era caseiro e preparado pela mãe, tia, avó. Elas estavam quase sempre na cozinha. Inventavam e trocavam receitas. Às vezes uma fazia doce de goiaba, a outra de mamão. Depois dividiam entre as casas para que tivéssemos variedade.
Matavam galinhas, destroncando-lhes o pescoço ou cortando-lhes a goela. Depois as mergulhavam em água fervente, depenavam e esquartejavam, para o cozimento. Eu sentia repulsa ao cheiro das penas de galinha escaldada e, se me lembrasse da cena, não conseguia comê-la. Quando matavam porco ou vaca, faziam um mutirão, convocando as mulheres da redondeza para ajudar, porque dava muito trabalho preparar tudo no mesmo dia, já que não havia geladeira. Para conservá-las, guardavam as carnes dentro de latões mergulhadas em gordura e enchiam as tripas com carne moída manualmente - virava linguiça. Os miúdos cozinhavam com feijão. Fritavam a pele - virava torresmo. Misturavam as sobras de gordura com soda cáustica em um tacho grande – virava sabão.
Na época de colheita das safras de arroz, feijão, milho, mandioca e algodão também faziam mutirão para preparar farinha, fubá, tecidos e ensacamento para o ano todo. Os homens colhiam as produções e colocavam tudo no paiol ou na casa do monjolo. Vinham então as mulheres e preparavam desde a seleção até o produto final. Às vezes o trabalho demorava uma semana e era bom ver aquele movimento na fazenda. Enquanto trabalhavam, cantavam, contavam causos e faziam miniaturas e bonecos com os produtos para nos agradar.
Havia muitas cobras na fazenda. Para evitar que se aproximassem da casa, papai procurava manter limpo o terreno em volta, mas mesmo assim era comum vê-las passeando pelo quintal e tínhamos que estar sempre atentos para não pisar em nenhuma quando andássemos pelos pomares e pastos um pouco mais distantes. Papai era caçador de cobras e sempre trazia várias espécies delas em sacos amarrados pela boca - e que ficavam pulando no quintal - para encaminhar ao Instituto Butantã, através do meu tio, que passava de caminhonete em direção à cidade.
Uma manhã, após o café, mamãe lembrou-me que era hora de arrumar as camas. Eu gostava daquela tarefa, porque sempre retirava os lençóis e enfiava as mãos pela abertura do colchão de palhas para remexê-las. Isto fazia com os colchões para que ficassem bem altos, permitindo que mergulhássemos na cama quando fôssemos dormir ou mesmo para brincar sozinha de mergulho seco.
Naquele dia, levei um susto enorme. Ao levantar justamente o lençol da minha cama e esticar a mão em direção à abertura, fiquei paralisada. Havia duas cabeças de cobra enroladas na “boca” do colchão. Mas na verdade, tratava-se de apenas uma cobra de duas cabeças. Ela só se mexeu quando comecei a gritar desesperada, acordando-a. Mamãe quando compreendeu o motivo dos meus gritos, pegou uma vassoura e matou-a ali mesmo dentro do quarto.
Outra vez fomos, meu irmão e eu, ao pomar de frutas e legumes rasteiros, que ficava a uns quinhentos metros da casa. O local era cercado com quatro ou cinco fios de arame farpado, para evitar que animais pisoteassem as ramas de melancias, melões, maxixes e abóboras. Quando estávamos chegando à entrada do cercado, vimos passar na nossa frente nada mais nada menos que uma jiboia. Com medo de sermos atacados por ela na saída, ficamos horas dentro do cercado chorando e rezando, até que papai apareceu para nos levar de volta a casa.
Arranhões, quedas de árvores e de lombo de animais ainda não amansados, topadas em pedras, picadas de mosquitos, piolhos e carrapatos eram comuns. Mamãe ficava sempre apreensiva, se não estivéssemos ao alcance dos seus olhos. Sabia que se algo grave nos acontecesse poderíamos morrer antes que o socorro chegasse da cidade. Foi assim com a vovó, que morreu a míngua, após uma picada de cobra cascavel.
O mais gratificante desse tempo eram as cavalgadas pelos pastos na sela de um cavalo baio amansado, que papai reservou somente para nós, crianças.
Ali, eu me sentia forte, poderosa, superior, em perfeita sintonia com a postura elegante do Baião... e livre.
- HORTA – PENDÊNCIAS HOJE
Projetos dependendo de apoio institucional e técnico:
a- Coleta de água das chuvas na área urbana, a partir dos telhados das casas e prédios, com canalização para reservatórios a serem instalados próximo aos locais de cultivo, de onde será distribuída para os pontos de irrigação, através de gotejamento e/ou pulverização, conforme a necessidade de cada área plantada;
b- 1. durante o período da seca, abastecimento do reservatório através de caminhões pipa gratuitamente; ou
2. redução/eliminação da taxa de esgoto do cálculo da tarifa de água potável das residências ou condomínios que mantém horta;
c- Elaboração e implantação de projeto paisagístico padronizado e institucionalizado, sob orientação e supervisão (EMATER?);
d- Implementação de centenas de Hortas Comunitárias Urbanas semelhantes no Plano Piloto e Cidades Satélites do Distrito Federal com extensão para todo o território nacional, onde couber;
e- Incentivo através de redução na base de cálculo de tarifas de água, esgoto e IPTU por cada m² de horta orgânica permanente em solo previamente revitalizado e mantido.
- RESULTADOS ALMEJADOS:
- Redução do lixo orgânico: cascas de frutas, legumes, verduras, folhas verdes e secas que caem das árvores serão transformados em adubo, através das composteiras, reduzindo o volume e selecionando previamente o lixo coletado nas áreas urbanas, onde, segundo estatísitcas, cada habitante adulto produz cerca de 4 kg de lixo orgânico por dia;
- Revitalização dos terrenos contíguos às áreas residenciais: serão reduzidos os efeitos danosos à saúde provocados pela proximidade com metais pesados; haverá melhoria da qualidade do ar, preservação da umidade natural e atratividade para aproximação de pássaros e outros pequenos animais silvestres, recriando ambientes benéficos, onde haverá polenização, reprodução segura da flora e da fauna;
- Colheita manual e utilização doméstica imediata das plantas cultivadas organicamente para chás, temperos e ornamentação;
- Conscientização ambiental e transmissão de valores relacionados à terra e tudo o que nela há; ensinamento de técnicas agrícolas às crianças, adolescentes, empregados domésticos e burocratas, motivados pela participação direta e acompanhamento permanente da atividade;
- Formação de profissionais em agricultura urbana e compostagem, através de aula práticas nas comunidades onde residem, com certificação profissional (modelo SENAR).
- Redução da contaminação dos mananciais, do entupimento de bueiros e alagamentos de ruas nas grandes cidades, através do incentivo à coleta seletiva e solidária de lixo ao redor das residências;
- Redução da incidência de mosquitos da dengue e de outros insetos provocadores de doenças, como ratos, baratas, formigas que, geralmente, são atraídos pelo cheiro do lixo misto;
- Redução da aplicação de inseticidas, que afeta diretamente a qualidade dos alimentos produzidos, provoca a mortandade de pequenos animais silvestres e fragiliza o organismo humano;
- Redução/substituição de conteiners locais, onde o lixo fica exposto nos finais de semana. Fixação de lixeiras para lixo pré-selecionad (ver sistema de coleta em outros países);
- Melhoria das condições de trabalho dos catadores de lixo, que passarão a ter contato físico apenas com o lixo seco;
- Redução/eliminação de lixões a céu aberto;
- Economia/redirecionamento da mão de obra, transporte, combustíveis fósseis, maquinários, enfim toda a estrutura envolvida na coleta, limpeza e tratamento do lixo produzido nas áreas urbanas.
CONCLUSÃO
Horticultura Urbana ou Rural deve ser objeto de atenção e apoio institucional, logístico e técnico, sem burocracia e sem demora, para não comprometer sua viabilidade.
Horticultura é muito mais que um empreendimento comercial, atividade profissional ou rudimentar. É um processo de integração entre seres viventes: humanos, plantas e animais. É um hábito de vida que exige dedicação permanente para se obter resultados a curto, médio e longo prazos, assim como é praticar exercícios, alimentar-se adequadamente.
Águas das chuvas que correm pelo asfalto da cidade arrastam consigo todo o lixo gerado nos centros urbanos, que vão contaminar a água que consumimos nos mananciais dos rios próximos e no subsolo, provocando doenças já erradicadas, alergias e até a morte prematura. Portanto, é urgente que se pense em uma solução de curto prazo para este e outros problema, se quisermos que as duas próximas gerações que chegarão ao planeta nele permaneçam em condições adequadas de sobrevivência e longevidade.
Neste caso, não há milagres à vista. Há que haver ações responsáveis.
Bsb, mai/2011 Sandra Fayad
Tel.: (55 61) 9984-7160
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